A eficácia da reserva de emergência sob a ótica da liquidez e do custo de oportunidade

Lembro-me claramente de uma tarde de terça-feira, há alguns anos, quando o motor do meu carro decidiu “aposentar” sem aviso prévio. O orçamento que veio da oficina foi um soco no estômago. Naquela época, eu ainda não tinha o hábito de separar uma reserva de emergência e precisei recorrer ao rotativo do cartão de crédito. Foi um erro custoso que me custou meses de juros compostos agindo contra mim, e não a meu favor. Essa experiência pessoal foi o que me fez entender que, antes de pensar em qualquer estratégia de multiplicação de patrimônio, o primeiro passo é o alicerce.

A armadilha do custo de oportunidade

Existe uma crença comum de que deixar dinheiro parado em um investimento de liquidez imediata é um desperdício. Olhamos para as taxas de juros, para o potencial de valorização de ações ou para a volatilidade atraente do Bitcoin e sentimos que aquele valor reservado para imprevistos está “perdendo dinheiro”. É aqui que mora a confusão entre investimento e proteção.
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O custo de oportunidade, na teoria econômica, é o benefício que você abre mão ao escolher uma opção em detrimento de outra. Quando você decide alocar parte do seu capital em um fundo DI ou um Tesouro Selic com resgate imediato, o custo de oportunidade não é o lucro que você deixou de ter em um ativo de risco. O verdadeiro custo de oportunidade, neste caso, é o prejuízo que você evitaria ao não precisar vender um ativo de longo prazo (como uma ação ou um imóvel) durante uma queda de mercado ou uma emergência financeira. Ter liquidez é, na verdade, um seguro que protege a rentabilidade da sua carteira de investimentos principal.